quinta-feira, julho 06, 2006

O APAGÃO FOI ARMAÇÃO

Lembram daquele esforço danado de economia de energia que fizemos em 2001, quando enfrentamos um suposto risco de ficar sem eletricidade? O governo nos impôs cortar o consumo em níveis quase insuportáveis – eu, classe média, baixei meu consumo em 60% do dia para noite.

Diziam que podíamos ter a luz cortada a qualquer momento, devido à falta de energia que seria provocada pelos baixos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas.

Pois tudo teria sido uma armação das empresas fornecedoras de energia, que teriam esvaziado, propositadamente, os reservatórios e suspendido investimentos em novas fontes de energia. O objetivo seria aumentar os preços da eletricidade e as margens de lucro das empresas do setor.

Tudo em conluio com o governo de Fernando Henrique, que desejava, mas não conseguiu, privatizar 100% do setor elétrico.

A tese foi defendida pelo engenheiro e presidente da usina termoelétrica Termoaçu, José Paulo Vieira, no Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), informa a repórter Juliana Lanzarini, da agência de notícias Canal Energia. Vieira foi orientado pelo diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, que também professor da USP.

Como resultado, avalia Vieira, os brasileiros que recebem os serviços de energia elétrica (ainda há milhões que não recebem) pagaram a mais, na conta de luz, quase 15 bilhões de reais, de acordo com os cálculos de Vieira.

Agora, segue a seção “memórias de um repórter que cobriu o setor elétrico de 1994 a 2002”, ou seja, eu:

1. entre as várias forçações de barra perpetradas pela turma de FHC no setor elétrico (leia-se o PFL baiano, da linha ACM, e também sua versão pernambucana) estava a idéia de que o gás natural que movimentaria as usinas termelétrcas deveria ser introduzido de forma definitiva e crescente na matriz energética brasileira, apesar de o País não contar com reservas desse energético para alimentar as usinas durante muitas décadas. No fundo, essa tese apenas viabilizou o escoamento o gás boliviano, que anos antes havia sido privatizado para a Enron (aquela do escândalo financeiro internacional) e outras multis do setor energético. O único mercado para o gás boliviano estava no Brasil, a milhares de quilômetros das jazidas;

2. a estória de aumentar a participação do gás natural viabilizou politicamente a construção do gasoduto Bolívia-Brasil (esse mesmo da confusão de 1º de maio). A Petrobras, na época, foi contra, mas teve de curvar a coluna diante das ordens do presidente da República;

3. quase todos os ex-diretores, gerentes e superintendentes de empresas estatais privatizadas tomaram parte do processo de venda das companhias esse locupletaram posteriormente em cargos muito bem remunerados nas empresas compradoras – a grande maioria, empresas espanholas, portuguesas e estadunidenses.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Por que será que notícias como esta não têm repercussão na imprensa? Mereceria uma boa investigação e a punição dos responsáveis.
Já imaginaram a ira da população, quando descobrir que fez papel de palhaça, tomando banho dia sim e dia não para economizar energia?
Débora

12:05 PM  

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