terça-feira, julho 11, 2006

“ESCOLA DAS AMÉRICAS” NO URUGUAI

Lembram daquela estória da instalação de uma base militar dos EUA no Paraguai? Pois, agora um quiprocó desse mesmo quilate se mudou de mala e cuia para o Uruguai.

O semanário Brecha, tradicional jornal da esquerda uruguaia, revelou na sua edição de 30 de junho que os governos dos EUA e do Uruguai negociam um acordo para instalar no Uruguai uma “escola para treinar missões de paz” para militares de todas as partes do mundo, ao custo de um milhão de dólares.

É bom lembrar que, a exemplo de Assunção, Montevidéo também reclama de ser preterido no Mercosul por Argentina e Brasil e quase já assinou um acordo de comércio livre com Washington – o que implodiria o bloco.

Ouvido por Brecha, o subsecretário de defesa do Uruguai, José Bayardi, admitiu que há “grande interesse” dos dois governos em desenvolver o centro. Este, disse Bavardi, também combateria “emergências e possíveis desastres naturais”.

Para bom desconfiador, meia palavra basta: não está claro o que significam os tais “desastres naturais”. Mas, o fato é que o Uruguai fica bem acima do aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce subterrânea do planeta. Ela vai, por debaixo da terra, do Paraguai até Minas Gerais, e é capaz de alimentar o atual consumo humano no planeta por quase 2500 anos.

Várias multinacionais já perceberam o valor econômico incalculável que tal reserva d´água potável representa e estão instalando unidades industriais em regiões de afluência do aqüífero.

O centro de treinamento seria desenvolvido pelo Comando Sul do exército estadunidense , o mesmo que opera a Escola das Américas no Panamá, um tradicional centro de produção de conhecimento de técnicas de tortura.

A Escola treinou de agentes a dirigentes de várias ditaduras da América Latina, inclusive do Brasil, desde sua fundação em 1946.

Além do temor de que o novo centro no Uruguai venha a se transformar em novo banco escolar da tortura, a simples menção de sua discussão desperta a dúvida: para que tal centro?

Outro fato que exige manter a orelha em pé. Bayardi também disse a Brecha que o próprio chefe do Comando Sul, o amplamente poderoso general Bantz Craddock, está à frente das negociações.

Para diplomatas brasileiros atentos e preocupados, Craddocck não se movimenta à toa.

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