sábado, agosto 05, 2006

BLACKHAWKS PARA UM AMIGO DO PEITO

Chegou à base área de Manaus nesta segunda (7) a primeira unidade de um lote de 10 helicópteros BlackHawk adquiridos pelo Exército e pela FAB a empresas dos EUA - a Sikorsky Aircraft (do estado de Connecticut) e a General Electric (Massachusetts). O Brasil está pagando 250 milhões de dólares pelos helicópteros e tem opção de compra de mais quatro aeronaves do mesmo tipo.

Até aí, nada de mais. O País necessita mesmo reequipar as forças armadas e os BlackHawks são belas máquinas de guerra, dizem militares brasileiros.

O que chama a atenção neste negócio são as razões dos EUA para autorizar a venda, que começou a ser negociada há quase 10 anos. Washington restringe severamente a venda externa de material militar e o faz apenas quando elimina qualquer possibilidade de o comprador contrariar sua estratégia de hegemonia mundial. Agora e no futuro. Só o faz quando o interessado em adquirir os equipamentos é um reconhecido amigo do peito.

A venda dos Blackhawks ao Brasil recebeu um inequívoco atestado ideológico. E é estranho que tenha sido dado a um governo regido pelo PT - um partido de esquerda que, liderando um governo, deveria despertar alguma desconfiança do ultradireitista governo de Bush.

“Esta venda contribuiria para a política externa e a segurança nacional dos Estados Unidos, porque melhora a segurança de um país amigo, que tem sido, e continuará a ser [grifo meu], uma importante força para a estabilidade política e o progresso econômico da América do Sul”, diz o texto é da agência de cooperação em segurança e defesa, uma instância do governo dos EUA que avalia os pedidos de compra de material sensível e encaminha seu parecer ao Congresso estadunidense.

O texto completo do release que anunciada a venda está em http://www.dsca.mil/PressReleases/36-b/2004/brazil_04-16.pdf. Foi divulgado em 7 de setembro de 2004 (Dia da Independência do Brasil e segundo ano do governo Lula) e deu a base jurídica à exportação dos Blachawks, que entrou na categoria das grandes vendas. Sem uma avaliação positiva dessa agência, nenhuma compra de equipamento bélico dos EUA, por parte de um outro país, vai adiante.

Recentemente, os EUA pressionaram a Embraer a suspender a venda de aviões à Venezuela e fez o mesmo com empresas espanholas.

Os BlackHawks já foram utilizados pela FAB em operações simuladas em pelo menos uma oportunidade. Foi em 2000, quando a Força Aérea dos EUA treinou os brasileiros em Mato Grosso do Sul durante a Operação Anjo Patriota.

É certo que o exercício da Presidência do Brasil exige uma postura de equilíbrio e pragmatismo nas relações internacionais.

Mas, bem que o governo Lula poderia ter educadamente rejeitado tantos rapapés de um país que, quando convém, despreza até a ONU em nome do seu projeto imperial.

1 Comments:

Anonymous Claudia Cardoso said...

Sabe o que acho, Carlos? Que, no fundo, a GE e a Sikorsky querem é fazer negócio mesmo, é vender armas para quem tiver dólares a gastar.
Abraço!

11:44 PM  

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