quarta-feira, agosto 02, 2006

DINHEIRO É O QUE NÃO FALTA

Para completar o imbróglio, o Bndes quer colocar seu fabuloso orçamento de mais de 30 bilhões de dólares para viabilizar pelo menos uma das obras – o que excita empreiteiras que não têm mais grandes obras para tocar atualmente no País, ao contrário da época de ouro do Brasil potência, quando a ditadura garantia os projetos mais faraônicos.

Hoje, mal importa sequer se o quase apagão de 2001 obrigou a redução drástica do consumo a níveis de anos atrás. Antes, para cada ponto percentual que o PIB crescia, a demanda por energia elétrica crescia 1,5. Segundo o Plano Decenal da Empresa de Planejamento Energético, depois do racionamento que não aconteceu caiu para 1,45 em 2005, pode desabar para 1,9 em 2010 (aproximando-se do comportamento nos países enriquecidos) e voltando a 1,31 a partir de 2015.

De toda forma, aumento do PIB , se acontecer, não exigirá tanta energia quanto antes. O que há, de fato, é uma enorme sombra de dúvidas sobre qual será o comportamento do mercado daqui para frente.

Mas, no fundo, o que importa para Furnas, Eletronorte e, é claro!, as empreiteiras, é que as usinas do Madeira estão orçadas em 20 bilhões de reais (fora as linhas de transmissão, que engoliriam outros 11bi) e Belo Monte não sairia por menos de 12 bi, considerando a transmissão. O importante é, para quem toma o empréstimo, a disponibilização do dinheiro. E, para quem desembolsa, a taxa de retorno pelo empréstimo.

Mais, ainda: o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid) também disponibiliza recursos para Santo Antônio e Jirau, por que ambas integram algo ainda maior – e bem nebuloso: a IIRSA, a Iniciativa de Integração da Infraestrutura da Região Sulamericana, coordenada pelo Banco e que planeja ratificar o papel histórico da América do Sul, de plataforma de exportação de mercadorias agrícolas as isso ainda será objeto de outra matéria no htt://outraglobalizacao.blogspot.com .

No meio desse campo, pouco importando para quem apanha o dinheiro ou para quem o disponibiliza, ficam o Brasil, sem recursos para outras áreas importantes, e o meio ambiente e a população das regiões afetadas.

Tanto as usinas Santo Antônio e Jirau, no Madeira, quanto belo Monte, no Xingu, são antigos projetos da Eletrobrás, do tempo em que a União monopolizava a geração de energia e quando quatro estatais “fatiavam” o Brasil entre seus “territórios” exclusivos de produção e transmissão de energia. Furnas era encarregada do sudeste e centro-oeste, a Eletrosul, da região sul, a Eletronorte, da região Norte (ainda que sua sede não fica-se lá e, sim, em Brasília) e a Chesf se responsabilizava por atender ao Nordeste, principalmente construindo usinas no rio São Francisco.

Por uma espécie de acordo de cavalheiros, todas trabalhavam em níveis médios de cooperação e uma não “invadia” a área da outra. Nesse ambiente de repartição de benefícios entre os mesmos grupos, cada uma tinha suas empreiteiras preferidas e ninguém questionava as regras do jogo, porque o erário sempre foi pródigo em atender a todos. Mas, o desmonte e a privatização parcial o setor durante os anos FHC introduziram à guerra de grupos mercadológicos. Agora, não há mais cooperação, mas a tal da competitividade.

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